Amiga, me responde uma coisa: quantos sapos você engoliu esta semana?

Aquele desaforo que você fingiu não ouvir. Aquele comentário desnecessário que você respondeu com um sorriso de quem está em paz com o universo, mas, por dentro, já tinha convocado uma reunião extraordinária com todos os seus demônios.

Aquela vontade de mandar alguém catar coquinho, mas você respirou fundo porque é uma mulher educada, civilizada e que não quer perder a razão nem o réu primário.

Pois é.

Agora imagina trocar uma parte desse estresse por uma atividade nova, colocar umas luvas e descobrir que você pode dar socos em alguma coisa sem precisar transformar o grupo da família em cena de investigação criminal.

Já pensou em fazer luta, minha filha? 😂

Calma! Não estou sugerindo que você saia distribuindo golpes por aí. A ideia é justamente encontrar uma atividade que faça bem para você, ajude a movimentar esse corpo que carrega o peso do mundo nas costas e ainda permita descobrir habilidades que talvez estejam aí, quietinhas, esperando uma oportunidade.

E olha que eu tenho um motivo para falar disso!

Uma menina de 14 anos e um baita motivo para pensar

Esta semana, vi uma reportagem sobre uma adolescente de apenas 14 anos que ajudou a imobilizar um assaltante que invadiu a casa da família.

Segundo o relato da mãe, o homem tentou fugir depois de ser confrontado. Durante a confusão, os pais entraram em luta corporal com ele, que chegou a sacar uma faca pequena. O casal conseguiu desarmá-lo e, só então, a menina decidiu agir.

Ela veio por trás, aplicou um golpe, derrubou o suspeito e conseguiu mantê-lo imobilizado por aproximadamente 15 minutos, até a chegada da polícia.

QUATORZE ANOS, BRASIL!

Eu fiquei imaginando a cena e pensando em como essa menina deve ter demonstrado uma coragem impressionante.

Mas atenção, porque não vamos transformar uma situação de perigo em tutorial de heroísmo, combinado? Havia uma faca envolvida, e o mais seguro, em situações de assalto, é preservar a vida e evitar o confronto sempre que possível.

A própria mãe contou que a filha ficou de fora inicialmente por causa do perigo e só agiu depois que os pais conseguiram desarmar o homem.

E sabe o que me chamou a atenção nessa história?

Não foi a ideia de uma menina enfrentar um criminoso. Foi pensar em como é interessante descobrir que somos capazes de aprender coisas que nunca imaginamos.

Porque, se tem uma coisa que a gente ensina às meninas desde cedo, é a ter medo.

Medo de andar sozinha. Medo de falar alto. Medo de desagradar. Medo de parecer exagerada. Medo de não ser delicada o suficiente.

A lista é tão extensa que, daqui a pouco, a menina precisa de autorização até para respirar fora do padrão.

E, olha, ensinar cuidados e segurança é fundamental. Mas também podemos incentivar nossas meninas a conhecer o próprio corpo, desenvolver autonomia, praticar esportes e descobrir suas habilidades.

Não para que elas tenham que enfrentar os perigos do mundo sozinhas. Mas para que cresçam sabendo que podem aprender, experimentar e ocupar espaço.

E isso vale para nós também, viu?

Mulher adulta também pode começar do zero

Tem uma coisa curiosa que acontece quando a gente cresce: parece que, depois de certa idade, toda novidade precisa passar por uma comissão de avaliação.

Será que combina comigo?

Será que vou conseguir?

Será que não estou velha demais?

Será que as pessoas vão achar estranho?

Será que vou ficar ridícula?

Minha amiga, você já ficou ridícula de graça em tantas situações da vida. Vai deixar de experimentar uma atividade nova por causa disso? 😂

A gente passa anos tentando ser boa em tudo aquilo que faz e, quando aparece uma oportunidade de aprender algo completamente diferente, quer entrar sabendo até a coreografia da apresentação de encerramento.

Não precisa!

Você pode chegar à primeira aula de boxe sem saber posicionar os pés. Pode experimentar o jiu-jítsu sem entender metade dos nomes dos movimentos. Pode começar no muay thai com o condicionamento físico de quem corre para pegar o controle remoto e já considera isso um cardio.

O importante é encontrar um professor qualificado, respeitar o próprio ritmo e descobrir se você gosta da experiência.

E, se não gostar, tudo bem. Você não precisa insistir em uma atividade só porque alguém disse que ela é maravilhosa.

A vida já tem obrigações suficientes. O lazer não precisa virar mais uma meta de desempenho.

Não é sobre sair batendo nos outros. É sobre descobrir outras versões de você.

Eu gosto dessa ideia de experimentar atividades que nos tirem um pouquinho do automático.

A gente pode passar anos sendo a mulher que trabalha, resolve, organiza, cuida, lembra dos compromissos de todo mundo e ainda precisa descobrir o que tem para o jantar.

Mas e aquela mulher que gostaria de aprender uma coisa nova?

Aquela que tem curiosidade, vontade de se movimentar, de testar os próprios limites e de fazer alguma coisa sem precisar justificar a utilidade daquilo?

Ela continua aí, minha amiga.

Talvez esteja cansada. Talvez esteja sem tempo. Talvez tenha se acostumado tanto a cuidar de todo mundo que já nem saiba direito o que gosta de fazer.

Uma aula de luta pode ser uma experiência interessante justamente por isso.

Você aprende movimentos, trabalha o condicionamento físico, desenvolve coordenação e, dependendo da modalidade, conhece técnicas de defesa pessoal. Também pode encontrar um ambiente de convivência, criar uma rotina de exercícios e sentir aquela satisfação deliciosa de perceber que está evoluindo.

E tem o saco de pancadas, claro.

Ele não resolve o problema com a pessoa que te tira do sério, não paga o boleto e tampouco vai buscar as crianças na escola. Mas pode fazer parte de um treino divertido, no qual você gasta energia e se concentra em algo que está fazendo por você.

Só não vá confundir atividade física com tratamento para todos os males da existência, porque aí nem o Rocky Balboa daria conta.

Se o estresse estiver pesando demais, buscar apoio profissional também pode ser importante.

E se você descobrir que adora?

Imagine a cena: você chega à academia achando que não vai conseguir acompanhar a turma. Na primeira aula, se atrapalha. Na segunda, melhora um pouquinho. Na terceira, já entende um movimento que parecia impossível.

E, de repente, percebe que está aprendendo.

Parece simples, mas existe uma alegria muito particular em fazer algo pela primeira vez na vida adulta.

Sem precisar ser a melhor.

Sem precisar competir com ninguém.

Sem precisar transformar aquilo em conteúdo para as redes sociais.

Você não precisa anunciar: “Nova fase, novo projeto, nova eu!”

Às vezes, você só quer aprender a lutar numa terça-feira e depois passar na padaria para comprar pão francês. E está tudo certo. A vida não precisa de trilha sonora épica para ser interessante.

Aliás, eu sou uma grande defensora de a gente experimentar coisas novas sem a obrigação de se tornar especialista.

Quer fazer boxe? Experimente.

Quer aprender a dançar? Vá.

Quer pintar quadros horrorosos durante seis meses até descobrir como segurar um pincel? Maravilhoso!

Quer fazer uma aula experimental de judô e descobrir que prefere assistir à modalidade pela televisão? Pelo menos agora você sabe.

O mundo não vai acabar porque você tentou uma coisa e não gostou.

Mas talvez você descubra uma paixão que estava escondida debaixo da pilha de roupas para dobrar.

E isso, convenhamos, já seria um acontecimento histórico.

Seu próximo hobby não precisa ser produtivo

A gente está tão acostumada a justificar tudo o que faz que até o descanso precisa apresentar relatório de resultados.

Se vai caminhar, precisa emagrecer.

Se vai cozinhar, precisa alimentar a família.

Se vai estudar, precisa passar no concurso.

Se vai fazer um curso, precisa ganhar dinheiro com ele.

Minha filha, pelo amor de Deus, será que podemos fazer alguma coisa só porque temos vontade?

Você pode aprender luta porque acha interessante. Pode descobrir que gosta de boxe porque a aula é divertida. Pode experimentar uma modalidade porque sempre teve curiosidade.

E pode parar depois de um mês se perceber que não era para você.

Não existe contrato de fidelidade com o primeiro hobby que aparecer na sua frente.

A proposta é simples: experimente.

Procure uma aula para iniciantes, converse com o professor, entenda os cuidados necessários e comece dentro dos seus limites. Se quiser aprender defesa pessoal, explique isso também, lembrando que nenhum treinamento elimina todos os riscos de uma situação real.

E, por favor, não espere ficar em forma para começar a se movimentar. Você não precisa chegar pronta para uma atividade que existe justamente para ser aprendida.

Você pode ser iniciante. Pode ser desajeitada. Pode não levar jeito de primeira. Pode descobrir que é muito mais forte do que imaginava.

Tudo isso faz parte.

E, se no final das contas você concluir que luta não é a sua praia, a gente procura outra coisa.

Tem café para tomar sozinha, maquiagem para experimentar, dança para aprender, lugares para conhecer e uma infinidade de pequenas alegrias que não precisam de autorização de ninguém.

Porque a vida já exige bastante da gente.

Que pelo menos as coisas que escolhemos fazer por prazer tenham um pouquinho de graça!

Agora me conta: você teria coragem de experimentar uma aula de luta?

E qual atividade você tem vontade de fazer há anos, mas vive adiando porque acha que não combina com você?

Vai que combina, mulher!

Só não precisa estrear seus golpes no próximo almoço de família. A gente quer uma vida mais leve, não uma ceia de Natal com advogado de plantão. 😂🥊

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